A expressão “trilha sonora” por mais estranho que pareça, já é bem antiga, desde os primórdios da invenção do cinematografo ela sempre esteve presente, ao projetar o filme na tela já se usavam músicos para conduzir as imagens. Pianos e orquestras eram usadas excessivamente ao longo da estória. Desde os irmãos Lumieres, a música sempre foi pensada como um fator determinante da condução verbal e não verbal.

O fim do cinema mudo

 O fim do cinema mudo foi oficialmente em 1927, com o filme o cantor de jazz (Alan Crosland), porém não foi a única experiência com o equipamento de sincronização de som. A Waner Bros, responsável pela patente do “Vitaphone” (equipamento de engrenagem que sincronizava o som e o filme), apresentou em 1926 o filme Dom Juan, que tinha trilha sonora e efeitos especiais (mas não diálogos), porém não foi muito reconhecido pelo público, devido à preocupação incessante das questões de financiamento que isso poderia gerar para o cinema. Desde então, o cinema deu um salto no tempo, dando abertura a novos profissionais, como por exemplo: Compositores musicais, músicos, fonoaudiólogos, treinadores de voz e assim por diante.

O compositor musical

Além das canções já existentes, também houve a necessidade da criação do Score (música original), somente um profissional do meio musical poderia compor tal música. O Score tem a incrível capacidade de conduzir as expressões do filme, uma cena de drama deve conter uma canção ou um instrumental de drama, uma de ação deve ter músicas mais agitadas. Profissionais que eram conhecidos por serem excelentes compositores, serviram como condutores musicais de extrema importância para dar continuidade ao filme.

O diretor

O diretor cinematográfico não é feito apenas de técnicas, é importante o mesmo ter experiência na vida, pois o que ele irá montar não será nada menos que um repertório de sua base sociocultural, ideologias, vivências, referências, estudos e ideias. É obrigação do diretor dirigir todas as etapas de produção; Pré-produção, produção e pós-produção, o diretor deve ir para casa e encostar a cabeça no travesseiro e pensar nas cenas, planos e story-boards, além disso a partir de terminado período o mesmo deve pensar nas questões musicais, efeitos sonoros e decupagem. Pois mais tarde, também deve passar estas informações para o compositor musical.

Diretor vs compositor musical

O que seria de George Lucas sem John Williams, Alfred Hitchcock sem Bernard Herrmann e Steven Spielberg no filme tubarão (1975) sem as duas notas musicais nas cenas de perigo. O que diria Fernando Meireles se o filme cidade de Deus (2002) não tivesse música com conteúdo eletrizante? O papel do compositor musical é ficar a par do conteúdo do filme, não somente receber o roteiro e a pauta de trilhas e simplesmente fazer por fazer. O diretor deve ter uma relação extraprofissional com o compositor, conhecer bem suas virtudes para saber aproveita-las da melhor forma.

O processo de criação

O compositor musical entra no processo de pós-produção, o mesmo assisti as cenas do filme, senta com o diretor e decide o que deve ser feito, e quais conceitos devem ser avaliados para a escolha do score. Porém, infelizmente nem todos os produtores tem a noção dessa importância, citemos o exemplo de Vila Lobos, contratado para criar uma trilha sonora para um filme norte-americano, mas simplesmente mandaram o roteiro para ele aqui no Brasil e deixou o compositor fazer o que acha que vai dar certo na história. Traduzindo Vila Lobos não acertou na criação da música e quando chegou no EUA, simplesmente mudaram toda a música, o que rendeu altas brigas entre Vila Lobos e os produtores. Compositores devem ter a convicção, entrar dentro do filme, criar intimidade e só assim criar algo!

Estratégia mercadológica

Sejam filmes, novelas, séries e programas de tv, qualquer conteúdo audiovisual deve contar com uma bela score (o que não é regra), mesmo que passe despercebida ao público. Ao usar canções já existentes o filme deve seguir à risca a questão de “direitos autorais”, patentes e lucro! Não é somente jogar a música e por fim curtir o momento, a produção cinematográfica deve estar dentro dos protocolos de leis audiovisuais. Damos o exemplo de “Led Zeppelin”, o mesmo nunca deixou sua música ser utilizada no cinema, até a chegada de Thor Ranarok (o que surpreendeu o público).

Estratégia cinematográfica

Um filme com um roteiro bem estruturado, uma fotografia com uma bela luz, uma direção de arte bem trabalhada como palheta de cor, adereços e biótipos além de uma direção bem simplificada, tudo isso junto com uma belíssima trilha sonora, pode sim! Aumentar ainda mais o seu potencial de um belo filme. Entretanto se o filme for ruim (muito clichê, falar se o filme é bom ou ruim) a trilha sonora não pode salva-lo.

Portanto, o score é de extrema importância, pois é o que faz os filmes ganharem prêmios! Sua capacidade de interação com o público, sua sensibilidade com o roteiro, sua condução de imagens e seus conceitos socioculturais, fazem uma história ganhar vida, emocionar pessoas, motivar e claro dar medo também.