A distribuidora ‘Fênix filmes’ disponibilizou entrevista exclusiva com o diretor

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O filme é uma adaptação da peça teatral de Mário Bortolotto. Confira abaixo maiores informações:

FICHA TÉCNICA

PRODUTORA:   Kinoosfera Filmes e Desvio Filmes
DIRETOR: Francisco Garcia
PRODUTOR: Francisco Garcia, Ale Tastardi e André Gevaerd
ROTEIRISTA: Mário Bortolotto
FOTÓGRAFO: Alziro Barbosa
DIRETORA DE ARTE: Monica Palazzo
MONTADOR / EDITOR: Aloísio Araújo
MÚSICA ORIGINAL: Marcello Amalfi e Mário Bortolotto
ATORES Mário Bortolotto (Gabriel) e Eldo Mendes (Diego)

SINOPSE LONGA

Por meio da história de três amigos, BORRASCA reflete sobre amizade, traição, amor, morte e decisões que precisam ser tomadas para prosseguir com as vidas dos que ficaram. Na trama, dois amigos, Gabriel (Mário Bortolotto) e Diego (Eldo Mendes), um escritor amargurado e um piloto de helicópteros, respectivamente, conversam, em uma noite fria e chuvosa, logo após a morte de um terceiro amigo. Um deles vai ao enterro e o outro se recusa a ir, pois foi traído pela ex-mulher com o amigo morto. O que foi ao enterro volta e conta ao outro como foi. A partir daí eles reavaliam as suas vidas, enquanto relembram passagens em comum com o falecido, colocando em xeque aqueles que querem continuar e os que simplesmente preferem ficar pelo caminho.

Francisco_Garcia_diretor borrascaSobre o diretor                                                                                                                      FRANCISCO GARCIA, nascido em São Paulo em 1980, se formou em Cinema pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) no ano de 2005. Sócio fundador das produtoras Kinoosfera Filmes (2007) e Desvio Filmes (2016), atua como produtor, roteirista e diretor.

 

ENTREVISTA COM O DIRETOR FRANCISCO GARCIA

QUAIS SÃO OS DESAFIOS DE ADAPTAR UMA PEÇA DE TEATRO E AINDA DIRIGIR O ROTEIRISTA DO FILME?

Os desafios foram inúmeros. Primeiro, como rodei o filme em praticamente duas madrugadas de maneira 100% independente, numa espécie de “ação entre amigos” que colaboraram comigo no processo de realização, sabia que não tinha muita margem para erros. Assim, optei por ter os atores que fizeram a peça e a partir daí ensaiamos continuamente por alguns dias dentro da locação para chegar no jogo cênico desejado e podermos efetivamente ter propriedade para possíveis improvisos no momento da filmagem que teria que ser muito rápida.

Sobre dirigir o Marião, foi um prazer imenso por toda a parceria estabelecida e suas qualidades como ator, que são inúmeras. Já tinha dirigido ele anteriormente e tenho outros trabalhos de adaptação de seus textos. Então foi tudo muito natural.  Sua única exigência era não modificarmos o texto para não descaracterizar a obra original. E durante o processo de ensaios e filmagem, o texto falou por si de uma maneira muito fluída e consegui cumprir minha palavra.

O QUE VOCÊ TRAZ PARA BORRASCA DE CADA FILME QUE VOCÊ FEZ?

Dos filmes que dirigi anteriormente, sinceramente, nada! Todos tiveram propostas e modelos de produção muito diferentes. Em Borrasca, quis experimentar uma linguagem e uma forma, mais fluída, com equipe reduzida, dentro de uma única locação e de rápida produção para não ficar dependente de financiamentos. Optei por um estilo de filmagem muito particular que é o que denominamos “filmar por eixo”, que consiste em dividirmos o roteiro em blocos e rodamos cada um deles em longos planos com a câmera em diferentes eixos da locação. Nunca tinha ouvido falar neste tipo de rodagem, e posso dizer que gostei do estilo. Inclusive, acabei repetindo em outros projetos como no longa Uma Pilha de Pratos na Cozinha, também uma adaptação da peça do mesmo autor, em fase de finalização. Neste filme, trago sim muita influência daquilo que aprendi no processo criativo do Borrasca.

BORRASCA GANHOU PRÊMIOS E PARTICIPOU DE DIVERSOS FESTIVAIS. PARA VOCÊ, COMO OS FESTIVAIS SÃO IMPORTANTES PARA UM FILME, EM ESPECIAL BORRASCA?

O filme foi ganhador de dois Prêmios de Melhor Ator para Bortolotto: um no Festival português de Santa Maria da Feira, onde ele concorria com grandes nomes da atuação como Matheus Nachtergaele, e outro em um dos festivais mais tradicionais do país, o CinePE. Estes prêmios, tem bastante significado para mim, pois são resultado e certeza que deu certo o exercício de fazer um filme onde a proposta é não fetichizar em técnicas, efeitos e locações, e sim ter o ator como o principal vértice de toda uma estrutura de linguagem.

ONDE BORRASCA SE ENCAIXA NO CENÁRIO DE CINEMA BRASILEIRO?

Ótima pergunta! Na verdade, tenho pensado há algum tempo sobre o assunto, e realmente cada vez mais acho que Borrasca não se encaixa no cenário atual do cinema brasileiro onde temas sobre minorias e ativismo têm tido mais destaque.

Nos dias de hoje, e vejo boas razões para isso, acredito que o público possa pensar que a temática do filme está fora do nosso tempo, num momento histórico onde conflitos e questões existências masculinas não têm tido muito espaço. Ao mesmo tempo acho o tema do filme universal, atemporal, e portanto contemporâneo, trazendo algo a mais de estranho para um cenário atual já tão potente.

Enfatizo que sou admirador de inúmeros tipos e de distintos gêneros de cinema, mas isso não significa que preciso me enquadrar a eles. Sempre propus construir uma filmografia pelo desejo de realizar um filme que me movia naquele momento, e isso vou continuar fazendo. Acredito na pluralidade e diferenças nos tipos de filmes e temas para a cinematografia de um país. Essa é riqueza do cinema nacional. Riqueza de olhar e de sentimento.

O QUE VOCÊ LEVARÁ DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE BORRASCA PARA SUA CARREIRA CINEMATOGRÁFICA?

Não sei exatamente. O próximo filme que estou finalizando, por exemplo, tem uma proposta formal e um modelo de produção completamente distinto do Borrasca. Sendo assim, o tempo e meus próximos projetos falarão por si. Só sei que hoje, com o filme finalizado e distribuído, apesar de ter um olhar bastante crítico sobre a obra, fico bastante satisfeito com o resultado sabendo que seu modelo de produção foi completamente fora dos padrões tradicionais de realização.

O filme estreia dia 02 de maio.