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Estreou nesta quinta-feira (7) Doutor sono, continuação de O iluminado longa-metragem do diretor Stanley Kubrick (1980, obra original Stephen King). O filme é uma adaptação do livro de número 61° de Stephen King “Doctor Sleep” (2013), o projeto é escrito e dirigido por Mike Flanagan (Ouija – a origem do mal) e distribuído pela Warner Bros. 

 

Sinopse: Ainda extremamente marcado pelo trauma que sofreu quando criança no Hotel Overlook, Dan Torrance lutou para encontrar o mínimo de paz. Essa paz é destruída quando ele encontra Abra, uma adolescente corajosa com um dom extra sensorial, conhecido como Brilho. Ao reconhecer instintivamente que Dan compartilha seu poder, Abra o procura, desesperada para que ele a ajude contra a impiedosa Rose Cartola e seus seguidores do grupo Verdadeiro Nó, que se alimentam do Brilho de inocentes visando a imortalidade. Ao formarem uma improvável aliança, Dan e Abra se envolvem em uma brutal batalha de vida ou morte com Rose. A inocência de Abra e a maneira destemida que ela abraça seu Brilho fazem com que Dan use seus próprios poderes como nunca, enquanto enfrenta seus medos e desperta os fantasmas do passado.

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Doutor sono com certeza não chega aos pés do brilhantismo de O Iluminado, portanto, não deixa muito a desejar em sua criatividade. Pontuei alguns detalhes da parte externa e interna do filme, veja a seguir:

Mike Flanagan não é melhor que Kubrick, entretanto, ninguém nunca será

Mike Flanagan é um diretor bem experiente em matéria de “terror”, dirigiu filmes como: Ouija (2016), O espelho (2013) e A maldição da casa residência Hill (2018). Existe uma técnica para avaliarmos o estilo do diretor, e como é Lucas? Simples! Veja 3 filmes dele… A partir do terceiro filme você consegue identificar o estilo de direção do realizador. Ou seja, Flanagan trouxe um pouquinho da sua bagagem para o personagem Dan, sentiu semelhanças com seus filmes anteriores? 

Kubrick era extremamente detalhista em seus filmes, seus projetos eram altamente inalcançáveis! Porém, gostei de ver Flanagan trazendo boas referências de Kubrick, como por exemplo a homenagem ao personagem Alex de laranja mecânica (no doutor sono a personagem secundária Rose the hat usa a mesma cartola que Alex). 

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A direção de arte trouxe detalhes fundamentais na hora de recriar os planos clássicos de O Iluminado.

Outra referência primordial que Mike Flanagan trouxe, foi recriar o famoso cenário de Kubrick, o grande “hotel Overlook”, com todos os objetos utilizados anteriormente. E claro, com seus planos mirabolantes, cheios de tensão e veracidade do terror psicólogo. 

Até mesmo nos momentos de criação original, o filme remete muito ao concept ART criado por Kubrick em 1980. 

O livro Doctor Sleep (2013) é um pouco diferente do que o filme

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E é aqui que eu acho o filme peca um pouco. No longa, a personagem Abra puxa sardinha para o Simulacro, pois ela não sente medo de nada, nem ao menos chora, usa seus dons como se fosse “superpoderes” e não é afetada pelo terror psicológico que a trama constrói. 

Mas é óbvio que a personagem cria “empatia” com o público, faz com que a gente acabe gostando dela (por ela ser fodah!), mas isso é um desafeto muito grande com o teor psicológico que o filme constrói. 

No livro a personagem em questão passa por situações bem diferentes, o que provavelmente a leva a um terror mais psicológico (Mas não li o livro). 

O roteiro é criativo, mas peca em alguns momentos (aqui tem um pouco de spoiler)

A ideia de trazer Doctor Sleep para as telas de cinema foi bem genial! 

Danny já está grande e sofre o mesmo mal que seu pai (Jack), ou seja, a bebida e a violência. Essa parte da história é contada de maneira rápida (apesar do filme ter 2 horas e 32 min), até certo ponto Danny se muda para uma cidadezinha no anterior, e por lá enterra os males do seu passado. Depois disso, acontece uma Elipse de 8 anos, what? Exatamente! 8 anos se passaram e Danny já amadureceu.

Até este momento aconteceu 2 elipses e a apresentação do conflito meio difusa (por enquanto) e o Ato I bem escrachado. Seguindo pelo desenvolvimento, o personagem principal Dan perde um pouco de espaço para as personagens Abra e Rose, neste momento o terror perde potencia de forma bem significativa. 

Enfim, chega de dar spoilers, outra questão bem interessante do longa é seu Score, a trilha sonora é uma mistura de coração batendo com um violino ao fundo, ficou bacana. 

Lembrando que no O Iluminado, Kubrick usa a massa de sons, ele mistura vários objetos e instrumentos para fazer barulhos amedrotadores. 

Poderíamos falar horas e horas de Doutor sono, o que deixou a desejar e o que surpreendeu, mas esse não é o objetivo deste texto. Assista e tire suas próprias conclusões, é interessante a reflexão sobre o alcoolismo que o filme traz e principalmente as teorias de vida e morte.