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Em 2017 o mundo  cinematográfico conheceu o verdadeiro significado de uma cena longa e recheada do vazio, em “A Ghost Story” (Sombras da vida) o diretor David Lowery trabalha a incompletude fantasmagórica e sua triste pós-vida. 

Sinopse: Recentemente falecido, um fantasma retorna à sua casa suburbana para consolar sua esposa enlutada. No local, ele descobre que seu estado espectral o força a observar passivamente a vida que ele conhecia e a mulher que ele ama lentamente se afastar de sua memória. Mais e mais distraído, o fantasma embarca em uma jornada cósmica pela memória e história que viveu com sua amada.

A representação boba de uma assombração utilizando um lençol é quebrada totalmente ao vermos “A Ghost story”, o fantasma em questão é de fato a consciência híbrida de um ser; passivo, ativo, sentimental e sensitivo. Logo no início do filme podemos ver uma atmosfera que faz referência ao “vazio”, “ilusão” e a “solidão”, a partir desse momento podemos reparar uma futura incompletude de um fantasma solitário. 

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A Ghost story é recheado de planos vazios que de vazios não têm nada! Ao mesmo tempo em que não vemos absolutamente nada na cena as camadas e sub camadas do filme trabalham em prol das questões psicológicas na cabeça do espectador. Por exemplo: Em uma cena específica temos a PERSONAGEM (Mulher do falecido) chegando em sua casa com um suposto novo namorado, nesse exato momento temos o plano fechado do fantasma (seu antigo namorado), isso dá a entender que na mesma hora o fantasma sentiu ciúmes. Mas como isso é possível? Se o fantasma não esboça reações? 

Existem duas respostas para essa pergunta:

1° Segundo Kuleshov o plano A  + o plano B é igual a sensação C, ou seja; ao vermos sua ex mulher beijando outro homem e depois vemos o plano do fantasma, temos a sensação que ele sentiu ciúmes. 

2° A expressão do corpo: Esse longa-metragem trabalha de forma complexa as reações e sensações do corpo do fantasma 👻 Nesse quesito percebemos a fácil agitação do Ghost. 

Vale observar que o filme também trabalha com a questão do tempo em suas cenas, sem nenhum corte podemos ver a passagem de tempo em menos de 1 minuto. Em cada camada de tempo podemos sentir a desilusão do fantasma. 

Outro quesito incomparável que o filme trás é a virtude do vazio; vazio do som, vazio na mis en cene e vazio na incompletude da pós-vida. Vazio no qual é revertido em “Cheio” quando o tema é amor. O amor em “A Ghost story” é exuberante de sentimentos e valores significativos, o store (música tema do filme) em questão amplifica ainda mais essa relação amorosa entre esses dois personagens. 

Fica a dica para assistir na Amazon prime, juntinho com a namorada ou até mesmo sozinho. Se delicie nessa tristeza exacerbada de um fantasma solitário, com certeza vai te fazer chorar.